A cada ano que passa, a teoria da evolução é confirmada por sua capacidade de prever e explicar novas descobertas científicas. O criacionismo, no entanto, continua atolado em sua incapacidade de prever e explicar as descobertas da ciência. Isto confirma que o criacionismo não é uma teoria científica, e que não possui credibilidade como alternativa à teoria da evolução.

De forma muito simplificada, o método científico envolve a coleta de evidências obtidas através da observação de fenômenos naturais, e o falseamento de hipóteses formuladas para explicar as evidências. A comprovação ou refutação de uma hipótese é obtida pela confirmação ou negação de predições feitas pela mesma.

Quando um vasto corpo de conhecimento científico se acumula, consistindo de numerosas hipóteses confirmadas baseadas em fatos observados da natureza, a síntese resultante é chamada de teoria.

Diferentemente de profecias religiosas, as predições da ciência são confirmáveis. Quando não são confirmadas, a hipótese em questão é abandonada. Formula-se outra hipótese para explicar as observações, e novos testes são realizados para confirmar as predições da nova hipótese.

James Watson e Francis Crick formularam a hipótese da estrutura helicoidal dupla do DNA. Uma predição feita a partir da hipótese de Watson e Crick é que a estrutura produziria um padrão de difração radiográfica em forma de X. Logo foi observado empiricamente que as estruturas helicoidais do DNA produzem exatamente os padrões previstos pela hipótese de Watson e Crick.

Outra predição célebre foi feita pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein, de acordo com a qual a luz se desviaria sob a influência de campos gravitacionais. Tal predição foi confirmada inúmeras vezes por observações astronômicas independentes.

Entre as teorias mais bem-sucedidas em suas predições está a teoria da evolução das espécies, a única que adequadamente explica o fato da ancestralidade comum dos seres vivos.

A teoria da evolução é confirmada por uma enorme gama de evidências científicas. Há um grande número de fósseis catalogados e radiometricamente datados de cada uma das várias eras geológicas, entre os quais encontramos várias espécies de transição evolutiva. “Elos perdidos” não são novidade alguma, nem mesmo na linhagem ancestral humana. A taxonomia constata o parentesco entre espécies por homologia. Órgãos vestigiais são resquícios do passado evolutivo dos seres vivos. A distribuição geográfica de espécies separadas pela deriva continental é evidência sólida de parentesco. Também pela cladística e bioquímica a semelhança entre o DNA de espécies relacionadas confirma seu parentesco, que aumenta em proporção à quão recentemente as espécies se separaram no passado. A evolução por seleção natural também já foi observada por biólogos tanto em campo como em laboratório.

Como se pode esperar, a teoria da evolução faz numerosas predições. Paleontólogos podem prever em qual camada geológica determinados tipos de fósseis serão encontrados, assim como a datação radiométrica aproximada dos mesmos. 

Considere como os paleontólogos vieram a descobrir o fóssil Tiktaalik roseae:

“...sabemos que o Panderichthys, um peixe tido até então como o mais próximo relacionado aos tetrápodes, tinha sido encontrado em rochas com aproximadamente 375-370 milhões de anos, e os primeiros tetrápodes – o Acanthostega e o Ichthyostega –, em rochas com cerca de 365 milhões de anos. Nesse intervalo de tempo deveria ter vivido o tal "elo perdido". 

Com isso em mente, os pesquisadores norte-americanos organizaram um projeto na região de Nunavut, ao sul da Ilha Ellesmere, no Canada. Nessa região são encontradas as camadas da Formação Fram, com idade em torno de 368 milhões de anos, no Devoniano Superior. Acredita-se que essas rochas se formaram por rios em uma região de baixo relevo. Assim, tudo estava certo para o encontro de formas intermediárias entre o Panderichthys e o Acanthosthega. Agora o melhor: toda essa preparação deu exatamente o resultado que se esperava – o achado do Tiktaalik!”
 

Os cientistas fizeram uma previsão baseada na teoria da evolução, procuraram por um certo tipo de fóssil em rochas do período Devoniano, radiometricamente datadas com cerca de 365 milhões de anos, e encontraram exatamente o que estavam procurando!

Os criacionistas alegam que o criacionismo é uma teoria científica tal qual a teoria da evolução, e que deveria ser ensinada em aulas de ciência como alternativa igualmente válida à teoria da evolução das espécies. Ora, se o criacionismo é tão bom assim, então deve ser capaz de fazer predições tão boas quanto as feitas pela teoria da evolução. Portanto eu gostaria que os criacionistas respondessem:

Em quais predições do criacionismo os cientistas poderiam se basear para obter o mesmo resultado obtido através da teoria da evolução, e concluir corretamente em qual estrato geológico um determinado fóssil deve ser procurado?

Quais predições feitas pelo criacionismo especificamente levariam à descoberta do Tiktaalik roseae?

Infelizmente para os criacionistas, minhas perguntas não tem resposta, pois a simples idéia de que as espécies vivas foram criadas já prontas não possui poder explanatório para explicar as evidências. A idéia de que fósseis foram soterrados pelo dilúvio de Noé a meros 4000 anos também não. As datações radiométricas das camadas da coluna geológica não fazem sentido algum à luz do criacionismo, motivo pelo qual os criacionistas vivem inventando desculpas esfarrapadas para rejeitar a confiabilidade de tais datações.

No entanto, algumas afirmações feitas por criacionistas são falseáveis, e podem ser testadas, como é o caso da hipótese da terra jovem e do dilúvio universal do tempo de Noé:

Se a Terra tivesse sido criada há apenas 6.000 anos, e um dilúvio universal tivesse realmente ocorrido há uns 4.000 anos, haveria apenas uma idade geológica identificável na coluna geológica do sopé ao topo. Não faria diferença datar uma rocha do fundão ou lá de cima, pois ambas registrariam ter entre 6.000 e 4.000 anos de idade. Não haveria porque esperar a existente correlação entre profundidade estratigráfica e datação radiométrica. Ao invés disso haveria seqüencias de camadas sedimentares horizontais idênticas com uma mistura caótica de fósseis de todos os tipos espalhados pelo fundo. Todas as amostras seriam radiometricamente datadas com não mais que 6,000 anos de idade, de cima até em baixo. Tal hipotética coluna sedimentar diluviana teria menor densidade rochosa na superfície e progressivamente maior densidade na medida em que cavássemos mais fundo. Não é isso que encontramos na natureza. 

Se tal dilúvio tivesse ocorrido, todas as camadas sedimentares deveriam ser associadas à deposição por água ou a vulcanismo e nada mais! Não deveriam existir camadas de deposição nitidamente desértica, como areias aeólicas-arenitos e depósitos salinos-evaporitos, pois desertos não se formam no meio de dilúvios universais. Não deveria haver camadas de formação nitidamente glacial, pois geleiras não se formam durante dilúvios globais. Não deveria haver ecossistemas específicos fossilizados de forma isolada nitidamente identificáveis nas camadas rochosas como sendo ora de leques aluviais, ora litorâneos, ora desérticos, ora marinhos, ora florestais. Tudo deveria estar muito bem misturado pelas águas, tsunamis, vulcões, ou o que quer que seja, em tal cenário de dilúvio universal. Deveria haver uma enorme mistura de tipos de ecossistemas amontoados juntos, assim como das faunas e floras das várias eras geológicas que também deveriam estar misturadas juntas. Camadas mais densas não deveriam ocorrer em cima de camadas de baixa densidade, pois em um dilúvio os sedimentos mais pesados tenderiam a afundar mais rápido, decantando-se primeiro. No entanto, camadas de alta densidade em cima de camadas mais leves são muito comuns.  

Tal seria o cenário geológico previsível pelo criacionismo e seu dilúvio universal recente, mas nada disso é encontrado na natureza. As predições do criacionismo se afundam em seu próprio dilúvio. Por outro lado, as predições dos paleontólogos evolucionistas se confirmam cada vez mais.

Se o criacionismo fosse capaz de fazer predições como faz a ciência, então também poderia prever onde e em quais camadas geológicas seriam encontrados fósseis como o Tiktaalik roseae, ou pelo menos deveria prever onde encontrar fósseis de seres do fértil imaginário criacionista e responder às perguntas abaixo:

Onde e em quais camadas geológicas estão os fósseis dos T-Rex herbívoros do "periodo edenico" anterior à "queda do homem"? 

Onde estão os fósseis dos gigantes "Nephilim" que teriam existido antes do dilúvio?

Onde estão os sítios arqueológicos contendo as ruinas das civilizações antediluvianas? 


Onde estão os restos da Arca de Noé? O criacionismo poderia "prever" que deveriam estar na região do Ararat na Turquia. Se estão mesmo no Ararat, como então ninguém até hoje conseguiu encontrá-los, apesar de todas as tecnologias de rastreamento e fotografia por satélites à disposição atualmente?

É evidente que, mesmo que os criacionistas conseguissem provar que não há ancestralidade comum aos seres vivos, não conseguiriam substituir a teoria da evolução devido à total ausência de provas a favor do criacionismo, que não possui poder preditivo algum.

Links relacionados:

Site da Universidade de Chicago sobre o Tiktaalik roseae.


Site Devonian Times.